20.7.10

o céu, cinza


"Palavras se perdiam em uma janela encavacada às cinco da manhã, pequenas gotas de chuva caíam sobre a grama verdinha, e como era doce aquela chuva!
Primavera, onde está?
Primavera, há muito mais em ti que possa ser visto a olho nú. Vais além de um sorriso, de um abrigo, o abrigo que me abriga, o abrigo do teu coração, que castos, teus olhares vastos me encontram.
Por favor, não caia senão em meus braços, não faça, de mim tua catástrofe, não cante, mais uma velha canção de amor, não venha, senão para mim, não sinta, não sinta não meu bem, o prazer de estar caído ao chão completamente puro.
É, eu estava há um tempo te lendo, te olhando, te pensando, te guardando comigo, conhecido, o desconhecido. Te escondendo. Escondendo teus sonhos de chuvas e diamantes. Como se tu fosses meu, mais conhecido que desconhecido."

Ps.: Feliz dia dos amigos.

18.7.10

vie

(Pille, Lolita)

Nós inventamos a luz para negar a escuridão. colocamos as estrelas no céu, plantamos postes a cada dois metros nas ruas. e lâmpadas dentro de nossas casas. apague as estrelas e contemple o céu. o que você vê? nada. você está diante do infinito que seu espírito limitado é incapaz de conceber, de forma que nada mais enxerga. e isso o angustia. é angustiante estar diante do infinito. fique calmo; os olhos sempre encontrarão as estrelas obstruindo a trajetória deles e não irão mais longe. de forma que o vazio dissimulado por elas será ignorado por você.

(…) eu carrego a maldição da lucidez. os olhos da minha alma estão arregalados sobre a vida e contemplam o vazio.

17.7.10

clockwork

"Vejam bem, senhoras e senhores, o paciente é impelido para o bem paradoxalmente por ser impelido para o mal"
Morte ao transtorno dominical que está por vir.