6.2.11

Fragmentos #2

Chegou em casa, tirou o cachecol, queixava-se de os tempos serem difíceis aos sonhadores, 'sempre foram', disse em baixo tom, calmo, preciso.
Tomou um café e cogitava olhar as estrelas por sua sacada, e porque acreditava em estrelas, elas existiam.
- A solidão sempre me foi muito atraente.
(Silêncio)
Olhava cabisbaixo para um ponto fixo, sem nexo, e continuava atemporalmente por simples prazer.
Ela dançava às 4:00 am um pouco de bossa nova e rock'n roll, céu cinza, quando seu mundo caía, quando o que sentia era um vazio que sangrava, e doía, e ecoava.
Desce as escadas, tira o vestido, enxuga as lágrimas.
Ela se foi, era tudo poesia, e foram com ela os doces sonhos, voavam, mais conhecidos que desconhecidos.
- Amor, veja bem, o mundo está realmente parecendo explodir.
- O mundo já explodiu.
- ... dentro do teu vazio.
- Agora o que nos resta é bailar sobre os escombros.
- Permita-me.
Só não me pede mais um cigarro, e não me diga que estou bonita.

4.2.11

Cinema mudo, fotografia amor

O acaso sempre tem a proeza de me presentear, da forma mais bela e pura. Palavras não haviam, olhares, aqueles que brilham... O verdadeiro sentido das palavras eram admiráveis, elas apenas o faziam quando nas entrelinhas de um infinito haviam um verdadeiro ar existente.
A vida nos levava, ela vinha e fazia suas honras nesse submundo. Tendo em vista que o amor não fosse para ti algo grandioso, na minha janela sentia aquele cheiro de chuva, e som do café.
O tempo estava frio, por onde andava haviam passos, carros, vastos aqueles corações.
Não seria para mim, senão um beatle ou rolling stone, tratava-se de um pouco de bossa nova, um pouco do velho rock'n roll.
Eis o melhor, eis o pior, eis aqui eu, completamente nua e pura a acreditar nas estrelas, e por acreditar nas tais, elas existiam.
Cinema mudo, fotografia amor, cigarros falados, palavras tragadas, silêncio, passos longos, disperso, desconectado.
Queixava-se ainda, que mais pensava que vivia, ainda que a paz que o habitava fosse efêmero, acreditava num universo particular de amores, dores, sabores.
O agora, é pretérito, há uma desconexão.
- Me abraça.
- Me abraça.
Hoje eu quero sair só.

2.2.11

divagações

Onde então estaria o habitante das falhas subterrâneas preso ao contratempo? Onde estaria, se nada havia?
Vou chamá-lo às cinco pro nosso café das três, pois desse modo, amaria as estrelas além de observá-las... Ele as admirava, e por isso era rodeado das tais, e assim permanecia.
Havia sol, mas nada o agradava por inteiro para chegar ao ponto extremo onde pretendia... Haviam então problemas, comuns, um pouco de bossa nova e tudo ali dilacerava-se, e esvaía-se como as águas de seus olhos.
Dizia ele que viver é uma arte, e que todos nós perante às estrelas da manhã contemplávamos a beleza, nada concreto demais. Se havia dor, tranfomava-a em poesia.
Ele então vinha, subindo a serra, contemplava o cheiro do jardim, e todas as flores que ali possuíam, as memórias de uma infância, deveras amor, devaras doce.
O que restava era dançar sobre os cacos, porque o mundo realmente parecia explodir com aquela chuva de diamantes.
Será que o amaria?
Será que o perdoaria por ter se esvaído nesse mundo sem fim?
A vida chegou, e te fez as honras.