6.2.11

Fragmentos #2

Chegou em casa, tirou o cachecol, queixava-se de os tempos serem difíceis aos sonhadores, 'sempre foram', disse em baixo tom, calmo, preciso.
Tomou um café e cogitava olhar as estrelas por sua sacada, e porque acreditava em estrelas, elas existiam.
- A solidão sempre me foi muito atraente.
(Silêncio)
Olhava cabisbaixo para um ponto fixo, sem nexo, e continuava atemporalmente por simples prazer.
Ela dançava às 4:00 am um pouco de bossa nova e rock'n roll, céu cinza, quando seu mundo caía, quando o que sentia era um vazio que sangrava, e doía, e ecoava.
Desce as escadas, tira o vestido, enxuga as lágrimas.
Ela se foi, era tudo poesia, e foram com ela os doces sonhos, voavam, mais conhecidos que desconhecidos.
- Amor, veja bem, o mundo está realmente parecendo explodir.
- O mundo já explodiu.
- ... dentro do teu vazio.
- Agora o que nos resta é bailar sobre os escombros.
- Permita-me.
Só não me pede mais um cigarro, e não me diga que estou bonita.

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