É como se o pretérito-mais-que-perfeito seguisse nas entrelinhas do contratempo. Aquela felicidade efêmera que logo se esvaíra, aquele beijo, aquele gesto.
Costumo lembrar da minha infância, me perdendo em devaneios e nostalgias, é, aqueles tempos de acordar cedo, ir na padaria, tomar toddynho. Das horas a fio com uma boneca sobre a minha mão, até chorar quando meu pai demorava pra chegar em casa, era como se o desespero tomasse conta de mim, tendo em vista que ele não voltasse para casa.
Eis aqui um medo, perder o meu José, dentre tantos outros Josés, e um buquê de Josés.
É como se tudo fosse de desfazendo de acordo com o tempo...
Nossa quanta demora pra aprender a ver as horas em relógios de ponteiros, e assim se aprendia, não havia necessidade de sofrer pra saber o que te faz bem, mas eu, sempre atenta às entrelinhas, aprendia pela dor, e não pelo amor.
Da minha velha infância, eu trago lembranças, das quais me recordo, sempre cheia de ideais, eu sentia, que todo aquele amargo, secreto, ia-se embora, mas se você o desejasse, ele voltaria, como aquele gosto de nicotina, forte, e amargo, que corrói.
Tão belo és amor.
1999, infância e leitura.

"A vida é a infância da imortalidade." Goethe
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