8.12.10

infinito particular

Tristesse #1

Oh, she's only seventeen... Preciso dizer que além dessa música, os meus 17 anos não exercem um vasto significado na minha história de vida.
Ao longo desta jornada, pude ter a plena certeza de que o mundo está realmente parecendo explodir.
Tenho sonhos estranhos, que vão desde um mundo metafísico até o inimaginável.
Tenho planos, estou aflita em relação à minha entrada ou não na Ufam, tenho uma gata preta que se chama Lolita, e hoje eu percebo que até dela eu consegui a proeza de me manter distante, não sou boa com química, tampouco com números, apesar de ter passado a última semana estudando hidrocarbonetos para uma suposta prova, que não aconteceu, meu curso preparatório para o vestibular não rendeu, muito menos as horas a fio estudando concordância verbal pra felicidade de não cair na prova. Eu penso, penso, penso, olhando para o nada. Estava lendo Água Viva de Clarice, mas tenho, As Coisas, do Arnaldo Antunes, A Metamorfose do Kafka, Laços de Família da Clarice e mais outros mil contos do Machado de Assis, fora filmes e músicas que me parecem muito bons, que o caos do contratempo descarta em um minuto.
Peguei carona com estranhos, conversei com desconhecidos e dei o número do meu ex pra velhos bêbados.
Tomei mil porres, e fiquei triste no dia seguinte.
Tenho gastrite, alergia e os estúpidos dos médicos têm a felicidade tão vasta quanto o mundo e me entopem de remédios, what is this?
Dizem as más línguas que eu sou tão fria quanto um ice berg, ledo engano...
Passo horas a fio me arrumando, me maquiando, pra dar uma melhor impressão às pessoas ao meu redor, dou bom dia ao motorista, quero trabalhar, e colorir a minha vida com as cores das minhas unhas, e afinal, elas estão crescendo.
Nenhum amor forte o bastante, tenho uma amiga, ou duas, minha família me enlouquece, e às vezes o desespero é tão gritante que eu sinto vontade de ir no centro conversar com estranhos, como de praxe, observar as pessoas e pensar que louco é quem me diz, e não é feliz.
Me entupo de café, vejo filme de madrugada, acordo às cinco e quarenta com a cabeça pesada e vou à escola ouvindo she wants revenge.
Tenho tempo o suficiente pra parar com essas conversinhas fúteis com pessoas que não me atraem, mas eu durmo.
Quanto ao modo de narrar os acontecimentos aparecem, como a re, a re, a realidade.
Vou contemplar o escuro do meu quarto e ver novelas globais.
Rômulo me mandou uma chuva de manhã cedo, João vai me falar sobre música erudita, e estou feliz por isso.
Eu amo meu pai, e ele me deu um cordão lindo... tão lindo como a canção E agora José, sim, ele se chama José, que irônico não?
Esteja alerta para a regra dos três, o que você dá, retornará para você, essa lição, você tem que aprender, você só ganha o que você merece.

Se você ama alguém, diga a essa pessoa amanhã, se essa pessoa for eu, diga que o céu é branco, e eu te direi, que as nuvens são negras.
Vamos tristeza, se chegue, se sente comigo.

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